Flora da Chapada dos Veadeiros

Informações Gerais sobre a Chapada dos Veadeiros

O cerrado é uma savana tropical na qual a vegetação herbácea coexiste com mais de 420 espécies de árvores e arbustos esparsos. O solo é ácido e de baixa fertilidade, com altos níveis de ferro e alumínio. Na porção do bioma cerrado preservada pelo parque nacional existem muitas espécies endêmicas, isto é, aquelas que só ocorrem neste lugar. Isto porque o cerrado de altitude possui fitofisionomias raras como o cerrado rupreste (acima dos 900m) onde são abundantes as canelas d'ema(velosiáceas). Algumas espécies (antúrios, filodendros, bromélias e orquídeas) concentram-se nas fendas das rochas e outras diretamente sobre elas (amburana), sem que haja solo. Nos campos ruprestes vê-se com freqüencia a arnica, o mandiocão e o veludo. Outras fitofisionomias estão presentes como a mata ciliar, mata seca semidecídua, as várias formas do cerrado sentido restrito e veredas serpenteando os campos limpos, de aparência cinematográfica, a exemplo do jardim de maytréia, onde os buritis(mauritia flexuosa) formam um verdadeiro cartão postal. Estima-se em 50, o número de espécies raras, endêmicas ou sob o risco ce extinção na área. Já foram identificadas 1.476 espécies de plantas no parque, das 6.429 que existem no bioma cerrado. Só de gramíneas encontrou-se 139 espécies, de quaresmeiras 69, de orquídeas 1.476 espécies, sendo que 9 são novas descrições.

 

 

A área do cerrado em geral está submetida a estacionalidade climática, cujo período seco, de maio a agosto, coincide com os meses mais frios do ano. Entretanto, devido à sua extensão territorial, esta vegetação é encontrada sob grande variação climática, desde precipitação média anual de menos de 800mm, a mais de 2.000mm , e temperatura média anual de 20º a 25ºC. Essas variações climáticas, associadas a fatores edáficos e à ação do fogo, topografia e drenagem são refletidas na grande variação fisionômica do cerrado. Conseqüentemente, a riqueza e a diversidade florística também variam.

Como adaptação à sobrevivência durante o período de maior estiagem, algumas espécies apresentam formas de vida temporárias como hemicriptófitos, terófitos e geófitos. Além disso, também ocorrem espécies que apresentam padrões fenológicos reprodutivos e síndromes de dispersão ajustados à estacionalidade climática. As espécies do estrato herbáceo florescem e frutificam ao final da estação chuvosa, enquanto as arbustivas e arbóreas o fazem no início da mesma. As espécies anemocóricas, principalmente do estrato herbáceo, dispersam seus frutos na estação seca, enquanto as espécies zoocóricas, principalmente do estrato arbustivo-arbóreo, o fazem na estação chuvosa.

 

 

Mesmo que não totalmente conhecida, a flora do Cerrado é riquíssima. Sua cobertura vegetal é a segunda maior do Brasil, abrangendo uma área de mais de 20% do território nacional. Apresenta as mais diversas formas de vegetação, desde campos sem árvores, ou arbustos, até o cerrado lenhoso denso com florestas-galeria. Reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade com a presença de diversos ecossistemas, riquíssima flora com mais de 10.000 espécies de plantas, sendo 4.000 endêmicas desse bioma. Os campos cobrem a maior parte do território. É essencialmente coberto por gramíneas, com árvores e arbustos. É subdividido em campo de cerrado e campo limpo, que se diferenciam na formação do terreno e na composição do solo, com declives ou plano. As árvores mais altas do Cerrado chegam a 15 metros de altura e formam estruturas irregulares. Apenas nas matas ciliares as árvores ultrapassam 25 metros e possuem normalmente folhas pequenas. Nos chapadões arenosos e nos quentes campos rupestres estão os mais exuberantes e exóticos cactos, bromeliáceas e orquídeas, contando com centenas de espécies endêmicas. E ainda existem espécies desconhecidas, que devido à ação do homem podem ser destruídas antes mesmo de serem catalogadas.

A vegetação do Cerrado apresenta diversas paisagens florísticas diferenciadas, como os brejos, os campos alagados, os campos altos, os remanescentes de mata atlântica. Mas as fitopaisagens predominantes são aquelas dos Cerrados, como o cerrado típico, o cerradão e as veredas. Nestas, há desde palmeiras, como babaçu (Orbignya phalerata), bacuri (Platonia insignis), brejaúba (Toxophoenix aculeatissima), buriti (Mauritia flexuosa), guariroba (Syagrus oleracea), jussara (Euterpe edulis) e macaúba (Acrocomia aculeata) até plantas frutíferas como araticum-do-cerrado (Annona crassiflora), araçá (Psidium cattleianum), araçá-boi (Eugenia stipitata), araçá-da-mata (Myrcia glabra), araçá-roxo (Psidium myrtoides), bacuri (Scheelea phalerata), bacupari (Rheedia gardneriana), baru (Dipteryx alata), café-de-bugre (Cordia ecalyculata), figueira (Ficus guaranítica), lobeira (Solanum lycocarpum), jabuticaba (Myrciaria trunciflora), jatobá (Hymenaea courbaril), marmelinho (Diospyros inconstans), pequi (Caryocar brasiliense), goiaba (Psidium guajava), gravatá (Bromeliaceae), marmeleiro (Croton alagoensis), genipapo (Genipa americana), ingá (Inga sp), mama-cadela (Brosimum gaudichaudii), mangaba (Hancornia speciosa), cajuzinho-do-campo (Anacardium humile), pitanga-do-cerrado (Eugenia calycina), guapeva (Fervillea trilobata), veludo-branco (Gochnatia polymorpha); Madeiras, tais quais angico-branco (Anadenanthera colubrina), angico (Anadenanthera spp), aroeira-branca (Lithraea molleoides), aroeira-do-sertão (Myracrodruon urundeuva), cedro-rosa (Cedrela fissilis), monjoleiro (Acacia polyphylla), vinhático (Plathymenia reticulata), bálsamo-do -cerrado (Styrax pohlii), pau-ferro (Caesalpinia ferrea), ipês(Tabebuia spp.), além de plantas características dos cerrados, como amendoim-do-campo (Pterogyne nitens), araticum -cagão (Annona cacans), aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius), capitão-do-campo (Terminalia spp.), embaúba (Cecropia spp), guatambu-de-sapo (Chrysophyllum gonocarpum), maria-pobre (Dilodendron bipinnatum), mulungu (Erythrina spp), paineira (Ceiba speciosa), pororoca (Rapanea guianensis), quaresmeira roxa (Tibouchina granulosa), tamboril (Enterolobium spp), pata-de-vaca (Bauhinia longifólia), algodão-do-cerrado (Cocholospermum regium), assa-peixe (Vernonia polyanthes), pau-terra (Qualea grandiflora), pimenta-de-macaco (Xylopia aromatica), gameleira (Ficus rufa), sem falar em uma grande variedade de gramíneas, bromeliáceas, orquidáceas e outras plantas de menor porte.

 

Fotos Gentilmente cedidas pelo nosso parceiro e amigo Bruno Fonseca.

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